Eu sou professor de inglês e em
uma discussão com um colega estávamos pensando sobre a nossa função como
professores e sobre o fato de que muitos professores de língua levam em
consideração somente a proficiência lingüística que o aluno consegue produzir
em suas avaliações. Essa discussão
motivou esse poste e eu gostaria de expor a minha opinião e saber a opinião de
meus amigos professores e também de alunos sobre essa questão.
Primeiramente vale lembrar que
perante tantos problemas sociais, há uma pergunta. Os professores conseguem ensinar
o conteúdo que eles tentam passar? Se
sim, a educação se resume somente ao um conjunto de conhecimento que um aluno
deve entender? E as ideologias que são perpetuadas no seu discurso enquanto
docente em sala de aula? E as práticas sociais que são reafirmadas dentro da
sala de aula? O professor deve problematizar essas práticas ou somente ignorá-las
e passar o conteúdo proposto pelo PCN ou pelo currículo da escola?
No meu contexto, como professor
de línguas em um centro de línguas de uma universidade federal, o objetivo é
ensinar língua e desenvolver as habilidades receptivas (ouvir e ler) e
produtivas (falar e escrever) dos alunos. Contudo, o que é língua e para que/quem
serve essa língua? A língua inglesa
seria somente um conjunto dos sistemas gramaticais e de vocabulário? O professor tem que se importar mais com que o
aluno diz ou com as estruturas gramaticais com as quais ele diz o que diz?
Será possível ensinar só língua?
Será que ao ignorarmos questões de sexo, raça, gênero, e igualdade na sala de
aula não estamos na verdade é reafirmando que essas questões não existem, assim
contribuindo para a sociedade machista, racista, e homofóbica na qual nós
vivemos? Será que ensinar focando somente
na língua inglesa não é uma maneira de negar o papel transformador da educação?
Mais importante ainda é questionar: o ensino de línguas em cursos de idiomas é
ou não é parte da educação? Pessoalmente, eu acredito que sim e queria
finalizar esse poste com uma pergunta que eu fiz há muito tempo atrás enquanto
eu estudava alguns teóricos do ensino crítico em minha aula de língua: O que
adianta os alunos saírem das nossas salas de aula como indivíduos proficientes
na língua alvo, mas se eles não têm nada interessante para dizer?